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sábado, 10 de maio de 2008

Deixou-nos há 24 anos...



No dia 10 de Maio de 1984, Portugal viu desaparecer o seu maior ciclista de sempre, Joaquim Agostinho.

Já tarde foi reconhecido o seu potencial no ciclismo, numa prova de amadores e pela mão do então corredor do Sporting João Roque. Joaquim Agostinho destacou-se de tal forma que o mesmo João Roque fez todos os possíveis e acabou por levar Agostinho para os "leões". A partir daí nunca mais deixou de obter grandes e gloriosas conquistas. Do seu brilhante palmarés há a destacar: 6 Campeonatos de Portugal, 5 Campeonatos de Portugal em Contra-relógio, 3 Voltas a Portugal e 2 terceiros lugares nas suas 13 participações no Tour de France, onde venceu 5 etapas.

Em 84 na Volta ao Algarve e quando "vestia de amarelo" sofreu uma queda que o deixou em estado crítico. Mesmo assim, voltou a montar a bicicleta e com a ajuda dos seus colegas cortou a meta da sua última etapa. Vítima desse acidente veio a falecer, 10 dias depois, no Hospital da CUF.

Morreu como sempre "correu"... de amarelo vestido.

quinta-feira, 10 de abril de 2008

Em nome do «Eterno Número 1»


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Hoje, quando começar o jogo, vou lembrar-me do «Número 1».
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Não é o Rui Patrício.
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É aquele que teve uma noite épica que de nada serviu e que defendeu penalties quando já estávamos eliminados.
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Não necessito de «motivação extra» para este jogo. Nem quero sequer pensar que iremos passar por uma tortura de prolongamento e penalties.
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Quero apenas pensar que hoje, quase 27 anos depois, o esforço do «Eterno Número 1» será premiado e que honraremos a memória dos nossos heróis, justificando a vitória em campo.
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Em nome de Vítor Manuel Afonso Damas de Oliveira!

sexta-feira, 29 de fevereiro de 2008

Obrigado Manuel Fernandes!

“Ninguém adora mais o Sporting do que eu! Pode haver quem goste tanto, mas mais é que não!” Estas palavras foram ditas por Manuel Fernandes em entrevista publicada hoje ao jornal O Jogo.

Segundo este mesmo jornal, Manuel Fernandes vai deixar de treinar para voltar ao seu clube do coração. Que seja bem-vindo, que seja muito bem-vindo acrescento eu.

O nosso clube encontra-se descaracterizado, faltam-lhe símbolos, falta-lhe mística e falta-lhe sobretudo amor. Amor ao clube, amor à camisola, simplesmente amor…

Há valores que têm que ser passados às gerações futuras, há um passado rico que tem que ser transmitido aos jovens, temos que trazer de volta para Alvalade os símbolos do clube, aqueles que ajudaram a escrever a história do Sporting.

Manuel Fernandes já fez mais pelo Sporting do que muitos dirigentes e presidentes. Ele não dedica só uma hora ao clube, ele dedica-lhe a vida inteira, é um apaixonado pelo Sporting, clube onde viveu alegrias e tristezas. De onde saiu “pela porta pequena” quer como jogador, quer como treinador. Mas mesmo assim a paixão continua. Grande “Manel”.

Espero que Manuel Fernandes concretize este seu desejo. Mas toma atenção “Manel” não te esqueças como te trataram quando foste treinador. E ainda te lembras quando foste para o V.Setúbal, porque não te deixaram acabar a carreira de camisola verde-e-branca vestida, como tanto desejavas? Cuidado “Manel”olha que este clube despreza os seus símbolos, falta memória aos seus dirigentes, “Manel, cuidado!

Mas mesmo assim se quiseres regressar em meu nome e em nome de todos os verdadeiros sportinguistas que amam, sofrem e choram por este clube só te posso dizer “OBRIGADO MANUEL FERNANDES!”

sexta-feira, 22 de fevereiro de 2008

O verdadeiro...Zé da Europa



Estávamos no dia 22 de Novembro de 1997.

Dia de anos da minha mãe. Dia de entrega de emblemas de 25 anos de sócio aos dois membros "mais velhos" da família. Dia de jogo contra o Estrela da Amadora.

Só motivos para festejar em Alvalade. O almoço foi na Churrasqueira, claro está...

Quando nos dirigíamos para lá, com os dois "sócios de prata" devidamente "certificados", vejo, ao longe, no parque de estacionamento que existia ao lado do pavilhão velho uma face que me parece familiar.

O penteado "de brilhantina", o andar titubeante, um célebre sorriso de esgar, que talvez, na altura, se devesse mais à dificuldade em andar do que àquele que tinha nas fotografias. Passou por mim e não tinha dúvidas - era José Travassos que se dirigia já para o estádio.

Não pude deixar de pensar que o alcatrão que pisava com dificuldade, em tempos fora a terra batida onde exibira toda a sua técnica e qualidade, como interior direito, "tocando" com os restantes quatro magistralmente o "violino", o que, infelizmente, nunca pude observar.

Depois deste dia, só o "vi" mais uma vez na TV numa gala d'«A Bola», no palco, em cadeira de rodas.

Hoje faria 86 anos que nascera onde, mais tarde, foi a Bancada Nova do Estádio José de Alvalade. Quis o destino que nos deixasse fisicamente 10 dias antes de completar 80 anos. Deixar fisicamente "apenas", porque a alma de José António Barreto Travassos está imortalizada na história do futebol do Sporting e de Portugal.

O mesmo sentimento assolou-me dessas duas vezes: há quem nunca deveria envelhecer porque "permanece" eternamente como a foto acima demonstra...

terça-feira, 5 de fevereiro de 2008

Iordanov 1 - Sporting 0



Chegou a Lisboa e ao Sporting em 1991 e ainda me recordo da forma como Sousa Cintra interrompeu um «meeting» de atletismo com a presença do mítico Serguei Bubka para apresentar um jovem jogador Búlgaro, com ar tímido e humilde.

Com o passar dos anos foi ganhando o respeito dos exigentes adeptos do nosso clube. Mesmo dividindo opiniões, em algo foram sempre unânimes: no profissionalismo e na entrega com que se bateu envergando a camisola do Sporting.

A final da Taça de Portugal de 1995 foi o palco de um duelo fantástico entre ele e o guarda-redes do Marítimo - Ewerton. Ainda assim marcou os dois golos da vitória.

Foi ele quem foi içado numa grua, em 2000, para pôr um cachecol do Sporting no pescoço da estátua do Marquês de Pombal.

O seu espírito lutador permitiu-lhe enfrentar uma doença traiçoeira e terrível com a mesma combatividade que punha em campo e, ainda assim, enfrentar um comentário súcio de quem deveria ser das últimas pessoas a fazê-lo, ainda para mais representando o clube.

Foi um primeiro indício. Ontem, Ivailo Stoimenov Iordanov viu reconhecida a sua pretensão pelo Tribunal do Trabalho de Lisboa que condenou o Sporting a conceder-lhe algo que deveria ter sido feito de boa vontade e como acordado - um jogo de homenagem. O Sporting terá de apresentar um projecto para o jogo (data do evento, lista de convidados, publicidade), sob pena de começar a pagar sanção compulsória de mil euros por dia de atraso.

«Yordanov é credor do respeito e admiração de todos os sportinguistas. Veio de longe mas ama a camisola sportinguista como qualquer adepto do Clube». Trata-se de uma citação da «Enciclopédia Fundamental do Sporting».

Apesar de ser um direito que lhe assiste, espero que o Sporting cumpra a decisão e se abstenha de recorrer. Temos de ser coerentes com aquilo que dizemos e agir em conformidade.

Sob pena de não nos restar um pingo de dignidade...

sábado, 26 de janeiro de 2008

Quando estive no relvado antes do clássico


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Aproveitando a deixa dos meus companheiros de blogue "Caetano" e a propósito do Sporting-FC Porto, partilho convosco esta foto exclusiva, tirada por mim, minutos antes de começar esse mesmo "clássico", na época de 2002/03, curiosamente também ele jogado em Janeiro. O resultado não foi o melhor, pois perdemos 0-1 (golo de Costinha), com os "azuis e brancos" a serem dirigidos por José Mourinho.
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De qualquer forma e à parte do resultado, tenho boas recordações, pois andei pelo relvado de Alvalade, minutos antes de começar a partida, ali perto de todos os craques e tirei a foto do Jardel com a Bota de Ouro que tinha alcançado na época anterior. A situação deveu-se, a eu na altura, trabalhar em parceria com a Assessoria de Imprensa do brasileiro, no projecto do Site Oficial dele.
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Recordo-me de ver diversos avançados com a nossa camisola, desde os míticos "Manel" e Jordão, a Fernando Gomes, Cadete, Iordanov, Acosta e porque não... Liedson. Mas sinceramente, Jardel era bestial e foi um dos melhores que vi ao vivo. Aquela época de 2001/02, com João Pinto a "servi-lo", foi fantástica. Quem ia a Alvalade ou a qualquer outro campo onde o Sporting jogasse, às vezes quase já nem precisava olhar, João Pinto centrava... Jardel marcava.
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Privei de perto com o Mário e é realmente pena o rumo que a sua carreira/vida tomou. O Mário é uma óptima pessoa, generoso, amigo, brincalhão, mas muito criança. Tinha tanto de instinto de goleador, como fora de campo tinha de meninice e enquanto Karen esteve a seu lado, as coisas ainda se foram compondo, quando deixou de estar, foi a derrocada. Como todos nós tem defeitos e alguns dos seus vícios prejudicaram-no. Não teve personalidade suficiente para saber gerir a fama, o dinheiro e como o João Caetano também referiu, foi mal aconselhado e enquanto esteve no topo, muitos "amigos da onça" o rodearam. Quando deixou de ser "o maior", conta-se pelos dedos, os que ficaram perto dele.
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Enfim é triste, muito triste. De qualquer forma, tenho todo o orgulho em ter privado com ele, de o ter conhecido, de ter estado em casa dele. Deu-me uma camisola dele, da época em que fomos campeões e que ele marcou 42 golos. Só não a guardei religiosamente, porque um dia, a dei ao meu primo mais novo - e não me arrependo - quando este estava no hospital.
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Para mim lembrarei sempre Jardel, como um dos grandes goleadores que vi jogar e nunca deixarei de cantar: Mário Jardel! Mário Jardel! Super Mário! Mário Jardel!

sexta-feira, 25 de janeiro de 2008

O verdadeiro artista



Ele é como a estória da pescada: antes de o ser já o era.

Rui Manuel Trindade Jordão é hoje artista. Pintor. Mas antes de se dedicar à pintura já era artista e pintava dos mais bonitos quadros na “tela” de relva de um hectare.

Movia-se com a graciosidade de uma gazela correndo de uma forma que parecia que fugia de um predador. A diferença é que, no caso, era ele o “predador”.

Formou um dos trios de ataque mais temíveis do Sporting, juntamente com Manuel Fernandes e Oliveira e, apesar de Malcolm Allison ter dito que teve muitas vezes de gerir o “choque” dos egos de Jordão e Oliveira, quando eles estavam em “acção” ninguém se lembrava disso.

Vem isto a propósito do adversário próximo jogo do Sporting, o Porto, e de um jogo que teve lugar numa tarde de sol a 30 de Janeiro de 1983.

O treinador-jogador já era Oliveira que substituíra “Big Mal” e o Sporting começaria nessa época, defendendo o escudo de campeão, uma longa “travessia do deserto”. Mas a magia ainda existia, com o “perfume” africano do futebol da estrela de Benguela.

O FC Porto havia “dado a volta” ao marcador, quando, num centro da direita de Oliveira, Jordão, em posição muito pouco ortodoxa, no ar, à entrada da área e de costas voltadas para a baliza, toca de calcanhar na bola, talvez da única forma possível, fazendo, aos 36 minutos, o empate.

E após este momento sublime, magistral, magnífico, enquanto os locutores da rádio gritavam “É gooooooooolooo do Sporting. Foi Jordão, camisola 11”, no campo Rui Jordão levanta o braço e estica o indicador em direcção ao céu.

Era a assinatura no final de mais uma obra-prima do artista.

quarta-feira, 23 de janeiro de 2008

Em dia de jogo...



Em dia de jogo da Taça da Liga frente ao SC Beira Mar partilho aqui, uma equipa do Sporting CP, da década de 60, que hoje em dia, muito jeito nos daria.
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Em cima: Pedro Gomes, Gonçalves, José Carlos, Alex. Baptista, Hilário e Carvalho.
Em baixo: José Morais, Leitão, Lourenço, Marinho e Peres.

sexta-feira, 12 de outubro de 2007

Júlio Cernadas Pereira "Juca" 1929-2007



Faleceu ontem Júlio Cernadas Pereira "Juca", antigo jogador e treinador do Sporting e também ex-seleccionador nacional de futebol. O «cabecinha de ouro» contava 78 anos de idade.
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Júlio Cernadas Pereira "Juca" nasceu a 13 de Janeiro de 1929, em Lourenço Marques, Moçambique. Começou a jogar no Sporting de Lourenço Marques, curiosamente na posição de guarda-redes: "parecia ter encontrado o meu lugar mas o treinador, vendo que não tinha defesa central e dispunha de mais guardiões, um deles o Costa Pereira, atirou-me para aquele lugar e o caso é que nunca mais saí da linha média".
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Aos 13 anos surgiu outra paixão na área do desporto, o Basquetebol, um amor que só durou três anos, pois acabou por voltar ao futebol. Entrou para o Sporting em 1950, como médio, e quando assinou contrato com os «leões» comentou-se em Lisboa que o Sporting tinha descoberto uma cabeça de ouro, tal era a sua eficácia a jogar de cabeça.
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O primeiro jogo de Juca ao serviço do Sporting aconteceu frente ao Lusitano de Vila Real de St. António, com vitória por 3-1. Foi o primeiro jogador a marcar um golo Estádio José Alvalade, a 10 de Junho de 1956, no jogo de inauguração contra o Vasco da Gama, que o Sporting perdeu por 3-2. Acabou a carreira de futebolista em 1958, devido a uma lesão que o afastou prematuramente dos relvados, aos 33 anos de idade. Jogou 300 partidas e marcou 24 golos. Como jogador ganhou os Campeonatos de 50/51, 51/52, 52/53, 53/54 e 57/58 e a Taça de Portugal de 53/54. Foi internacional "A" por seis vezes.
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Como treinador, Juca ganhou o Campeonato Nacional de 1961/62, tornando-se o mais jovem treinador a ser campeão nacional, com 33 anos de idade, recorde que ainda se mantém. Em 1962/63 ganhou a Taça de Portugal, que permitiu ao Sporting no ano a seguir participar na Taça das Taças, que venceu.
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Juca foi seleccionador nacional entre 1977 e 1978 e entre 1980 e 1982, falhando o apuramento para o Campeonato da Europa porque a equipa portuguesa não conseguiu converter um penalty no último jogo. Em 1989 voltou a assumir o cargo de seleccionador, substituindo Artur Jorge. Comandou a Selecção nacional em 40 jogos, só sendo suplantado por Luís Felipe Scolari e António Oliveira.
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O ex-presidente do Sporting, Sousa Cintra, lembrar-se-ia de Juca para director técnico do Clube, no início dos anos 90. Quando Carlos Queirós rendeu Robson, em 1994/95, Mário Lino rendeu Juca, que passou então a coordenar o departamento de futebol juvenil do Sporting até 2004.

quinta-feira, 27 de setembro de 2007

Fotos com Memória e Personalidade



Caros,
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Ainda a propósito do grande Manuel Fernandes e como o prometido é devido, aqui está:

O que já não se consegue ler diz:

“Ao (aqui estava o meu nome :-) com um abraço do Manuel Fernandes”

Dia 20/10/82
1ª Mão da 2ª eliminatória da Taça dos Clubes Campeões Europeus
C.S.K.A (Bulgária) – 2 / Sporting Clube de Portugal – 2
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Foto com Manuel Fernandes e Carlos Xavier ao fundo

Notas:
Acho que esta foto foi tirada pelo grande Mestre Capela (também já merecia umas quadras do JCFrancisco:-), mas já não me recordo bem.
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Foi-me assinada pelo MF no relvado do Estádio de Alvalade, ao cimo das famosas escadas do túnel, onde eu estava a ver um jogo.

Por esta altura não tínhamos “medo” de marcar golos fora, nomeadamente nas competições da UEFA.

Saudações leoninas, mas acima de tudo desportivas,

Afiando Garras

domingo, 23 de setembro de 2007

O moço de Sarilhos Pequenos



Hoje que o Sporting irá defrontar o Vitória de Setúbal gostaria de invocar aqui uma verdadeira "memória leonina".

A foto que ilustra este post é de um poster da revista/jornal «Equipa» de 30 de Novembro de 1977 que, em tempos, "ilustrava" também (entre outros) a parede do quarto que partilhava com o meu irmão. Aliás, ao recordarmos este poster, ele citou de cor a legenda que consta do mesmo, cujo título é perceptível na foto, e que reza assim: «Manuel Fernandes - o moço de Sarilhos Pequenos que a C.U.F. conquistou para o futebol e o Sporting lançou para o grande "palco" internacional: ele foi o melhor marcador de Portugal (quatro golos!) na fase de apuramento para o "Mundial". Um rapaz simples, que joga e estuda e tem na cabeça e nos pés o maior "segredo" do futebol de hoje: conseguir furar as redes».

Manuel José Tavares Fernandes abandonaria o nosso clube (de forma indigna para uma figura do Sporting como ele) para representar, precisamente, o Vitória de Setúbal, onde, juntamente com Jordão, haveria ainda de fazer bons jogos e continuar a "furar as redes" adversárias.

Durante as 12 épocas que envergou a camisola leonina (1975-87), onde efectuou 433 jogos e marcou 255 golos (média superior a meio golo por jogo), Manuel Fernandes conquistou 2 campeonatos nacionais, 2 Taças de Portugal e 1 Supertaça, tendo apenas sido o melhor marcador em 1985/86. O seu momento individual mais alto foi certamente os 4 golos marcados ao Benfica nos célebres 7-1.

Manuel Fernandes ainda regressou ao Sporting como treinador. Primeiro como treinador-adjunto de Bobby Robson (quando trouxe com ele José Mourinho do Estrela) e, mais tarde, quando assegurou, como treinador principal, a parte final da temporada 2000/01, em que Inácio foi dispensado, Mourinho deveria ter vindo, Fernando Mendes assegurou interinamente o comando da equipa durante Dezembro e parte de Janeiro, tendo ainda conquistado a Supertaça dessa época em finalíssima jogada em Coimbra.

Quando, a propósito do gesto de Ronaldo, se falou aqui em "sportinguismo", não posso deixar de lembrar aqui que Manuel Fernandes cumpriu um desejo de sempre (dele e de sua mãe): representar o Sporting Clube de Portugal. Quando, há tempos, lhe perguntaram se o facto de estar demasiadamente "ligado" ao Sporting lhe teria prejudicado a carreira como treinador (está, presentemente, em Angola) ele disse que, caso assim fosse, não se importaria nada com isso...

Como acho que um clube tem de viver de olhos postos no futuro, mas sem esquecer o seu passado, não consigo entender como uma figura do Sporting Clube de Portugal como Manuel Fernandes não tem lugar no (neste caso sim!) SEU clube...

quinta-feira, 20 de setembro de 2007

Especial Taça das Taças 1963/64



Depois da menos feliz, jornada europeia de ontem, hoje tenho o prazer de anunciar, que lançámos na nossa secção "Vídeos Online", o "Especial Taça das Taças 63/64".
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O propósito deste "especial" constituído por 6 vídeos, é o de relembrar e não deixam caír no esquecimento, a maior conquista europeia do nosso clube, a nível de futebol. Poderemos então passar a recordar ou a dar a conhecer aos mais novos, a fantástica caminhada do Sporting, na já extinta Taça dos Vencedores das Taças e que contou com "proezas" desde o início, ou seja a vitória de 4-0 sobre o V. Guimarães, na final da Taça de Portugal em 1962/63, a histórica goleada de 16-1 sobre o Apoel de Chipre, a fantástica reviravolta, frente ao Manchester United, a 18 de Março de 1964 e ainda a chegada a Lisboa, da comitiva "leonina".
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Penso que será isto, uma mais valia para o nosso blogue em crescimento e uma justa homenagem a todos estes homens, que elevaram bem alto o nome do Sporting e do futebol português, na época de 1963/64.

quinta-feira, 13 de setembro de 2007

Faz hoje 4 anos, mas antes não fizesse...



Faz hoje 4 anos que Vítor Manuel Afonso Damas de Oliveira nos deixou mais pobres, pois ausentou-se eternamente e privou-nos da sua presença entre nós, deixando, porém, no nosso coração a sua marca indelével para todo o sempre.

Vítor Damas (ou o «Charuto» como era, carinhosamente, alcunhado pelos amigos) é, indubitavelmente um dos maiores símbolos do Sporting Clube de Portugal, sendo o jogador que mais vezes envergou a camisola leonina - 721 vezes entre as épocas 1966/67 e 1974/75 e, posteriormente, entre 1984/85 e 1988/89, onde terminou a carreira, quiçá não da forma merecida...

Nesse hiato em que não envergou as cores do nosso clube, Damas representou o Racing Santander de Espanha (1975/76 a 1979/80), o Vitória Sport Clube (Guimarães) entre 1980/81 e 1982/83 e o Portimonense Sporting Clube em 1983/84.

Posteriormente à sua retirada, Vítor Damas ainda exerceu o cargo de treinador (interino) principal do clube e treinador de guarda-redes.

Haveria muito para dizer sobre tão lendária figura. Os seus pontos altos e baixos. As suas exibições e as suas desilusões. Mas hoje não.

Hoje não quero recordar o triste episódio que motivou a sua saída do Sporting. Não quero saber porque é que demorou tanto tempo até regressar ao Sporting. Não quero lembrar as defesas impossíveis. Não quero recordar a estima que todos que o conheceram de perto têm dele e o carinho com que falam dele.

Hoje quero apenas recordar as lágrimas que, a muito custo, não consegui conter quando foi respeitado um minuto de silêncio (com uma tremenda salva de palmas) no Estádio José Alvalade e aquelas que, escrevendo e recordando esta mítica figura, vou conseguindo suster.

A foto foi (com a devida vénia) retirada do blog dos nossos confrades www.ofensiva1906.blogspot.com pelas razões que são evidentes. Também da mesma autoria poderão ver um slideshow de fotos de Vítor Damas neste link.

quarta-feira, 12 de setembro de 2007

O coração de Ivone De Franceschi



No passado dia 15 de Junho de 2007, Ivone De Franceschi anunciou na sua Pádua natal, em conferência de imprensa, a sua retirada do futebol profissional.

Motivo: um grave problema coronário. Após uma série de exames, os médicos descobriram uma malformação congénita de uma das coronárias principais do coração, havendo o risco de uma parte do músculo miocárdio poder comprimir a coronária e provocar isquemia (i.e., interrupção do fluxo sanguíneo, impedindo a nutrição dos tecidos) podendo causar um enfarte ou um AVC.

A vida é pródiga neste tipo de ironias. Fora por causa do “coração” que De Franceschi retornara a Pádua para jogar pelo clube local, o Calcio Padova 1910, a meio da época de 2004/05. A intenção do jogador era a de ajudar o “seu” clube, que se encontrava na Serie C (equivalente à 2.ª Divisão B portuguesa, ou, se preferirem, a terceira divisão), o que não conseguiu, para sua frustração, apesar de ter a consolação de terminar a carreira (ainda que de forma abrupta e inesperada) como capitão da sua equipa.

Foi o fim de um ciclo que começara precisamente aí, onde jogou nas épocas de 1992/93 (nas camadas jovens) a 1997/98, com empréstimos em 1994/95 e 1995/96 pelo Sandonà e Rimini, respectivamente, épocas que coincidiram com os seus primeiros anos de profissional.

Em 1998/99 tentou a sua sorte no Venezia, onde procurou corresponder às expectativas que depositaram nele desde muito novo, no Padova, quando lhe atribuíam o estatuto de estrela e de jovem prodígio de uma equipa que contava nas suas fileiras com…Alessandro Del Piero.

Mais uma vez, não encontrou a felicidade na célebre cidade italiana e, em 1999/2000, chega ao Sporting, por empréstimo do Venezia. Fora recomendado pelo então (ainda) treinador transalpino Giuseppe Materazzi. Vinha em recuperação de uma lesão e para ocupar a posição (em falta) de extremo esquerdo. E foi no Sporting que De Franceschi amealhou o único título do seu palmarés.

Muito se falou das contratações de Inverno do Sporting dessa época (André Cruz, Mbo Mpenza e César Prates) e de como foram fulcrais, a par da veia goleadora de Beto Acosta, para a conquista desse memorável título. Porém, na minha opinião, sempre vi De Franceschi, pela forma como fazia dupla na “asa” esquerda com Rui Jorge, pela sua postura táctica irrepreensível e pelas suas assistências com cruzamentos perfeitos, como uma peça muito importante dessa equipa leonina, talvez a última que utilizou extremos…

De Franceschi estreou-se em Alvalade no primeiro jogo que Augusto Inácio fez para o campeonato como treinador principal. Uma vitória importante à 6.ª jornada (frente ao Boavista) na qual teve papel fulcral, ao estar na origem do lance que deu origem ao penalty convertido por Acosta no 2-0 final (após Delfim ter efectuado o 1-0 num “tiro” de longe). A partir daí De Franceschi “pegou de estaca” e terminou a época contribuindo para o título com 3 golos marcados em 25 jogos e inúmeras assistências. Foi finalista da Taça de Portugal, onde o Sporting apenas foi batido na finalíssima pelo FC Porto, tendo eliminado o Benfica na sua casa, nos oitavos-de-final, jogo em que De Franceschi também esteve endiabrado.

Em entrevista que deu ao n.º 117 da revista Calcio 2000, De Franceschi fala da época de leão ao peito da seguinte forma: «Uma coisa indescritível. Todos consideram o campeonato português de segundo nível e por causa disso as atenções dirigem-se todas para Itália, Espanha, Inglaterra e Alemanha. Mas o Sporting é um pouco a Juve de Portugal. Tem 50.000 espectadores e, na madrugada após a vitória do título, estavam no estádio “José Alvalade” 80.000 pessoas para festejar. Era o primeiro italiano a jogar em Portugal e a conquistar um campeonato que perseguiam em Lisboa há 18 anos. Vivi pessoalmente aquilo que o Inter viveu em Itália depois de 18 anos de jejum».

Por desacordo de verbas entre Venezia e Sporting, De Franceschi não continuou. A época 2000/01 foi cumprida metade em Veneza, metade em Salerno, onde envergou a camisola do Salernitana. A época seguinte, 2001/02, foi mais feliz ao serviço do clube veneziano (29 jogos, 1 golo), o que lhe permitiu a transferência para o Chievo Verona, onde mais uma vez encontrou a infelicidade, devido às lesões, tendo cumprido em época e meia (2002/03 e metade de 2003/04) um total de 8 jogos e 2 golos (6 jogos/2 golos e 2 jogos/0 golos, respectivamente), sendo novamente emprestado ao Bari (15 jogos/1 golo).

Regressou a Verona e ao Chievo para cumprir apenas metade da época de 2004/05 (tendo efectuado com o Chievo, em Alvalade, o jogo de apresentação do Sporting dessa época) e seguir o “apelo do coração” regressando ao “seu” Padova, na tentativa de o ajudar na subida de divisão.

Não o vai poder fazer em campo, mas como os sonhos perseguem-se e não se trai o coração (mesmo que ele nos traia a nós) Ivone De Franceschi dará o contributo ao clube padovano como Team Manager, na tentativa de fazer nos corredores da societá com sede na viale Nereo Rocco aquilo que não conseguiu fazer em campo.

Porque no Sporting não esquecemos quem tão dignamente envergou a camisola verde-e-branca: felicidades para De Franceschi nesta nova aventura!

Grazie tante Ivone De Franceschi. Rimarrai sempre nei nostri cuori.

quinta-feira, 23 de agosto de 2007

Douglas, o falso lento...



A partir de agora e regularmente irei lançar esta pequena "rúbrica" de nome: Memórias Leoninas. Não pretendo nesta rúbrica, aprofundar em demasia a figura destacada, pois para isso temos a nossa secção Figuras. Serão escolhas pessoais, de antigos jogadores, jogos ou momentos, que de uma forma ou outra, marcaram etapas na vida do Sporting.
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William Douglas é talvez, um dos primeiros "trincos" do Sporting, que mais admirei. Feito nas escolas do Cruzeiro, chegou ao Sporting na época de 1988/89 proveniente da Portuguesa dos Desportos. Este "falso lento", tinha um posicionamento em campo irrepreensível e uma visão de jogo acima do comum. Nos dias de hoje, Miguel Veloso faz-me lembrar muito o Douglas, pois também ele era um jogador "calmo", seguro e com uma técnica evoluída.

Fez parte, da muitas vezes relembrada, "equipa de Marinho Peres", que juntamente com outros, como Luisinho, Fernando Gomes ou Jorge Cadete, chegou às meias-finais da Taça UEFA em 90/91. Lembro ainda um curioso promenor: Na entrada em campo, Douglas era sempre o último dos 11. Recordo muito bem a sua imagem, ao entrar em campo, no seu estilo peculiar, com as meias em baixo e em último lugar, atrás de todos os seus outros colegas. Esteve 4 épocas no Sporting, efectuando 124 partidas e apontando 14 golos.